Vila Junqueiro(Gurué)uma velha cidade que se reergue

O município do Gurué, antiga Vila Junqueiro, celebra esta sexta-feira 45 anos da sua existência. Desde 1998 é um dos 43 municípios do país, com um governo local eleito. É também o centro da zona onde se encontram as maiores plantações de chá do país.

Gurué, que antes da independência chamava-se Vila Junqueiro, foi elevada à categoria de cidade em 24 de Fevereiro de 1971.

O município do Gurué tem uma área 107 km² e, de acordo com o Censo de 1997, uma população de 99 325 habitantes.

A cidade já esteve completamente fora dos roteiros turísticos do país, mas para quem procura mais do que praias e camarão, é o sítio ideal para passar uns dias.

A cidade antes esburacada, hoje, todos querem passear nas ruas de Gurué, porque o governo autárquico liderado pelo Movimento Democrático de Moçambique(MDM) desde 2013 e seus parceiros, asfaltaram varias ruas.

Há quem diga que o Gurué tem um micro clima e que talvez seja por isso que, ali, tudo cresce e floresce.

Nos tempos idos, só haviam duas pensões. A Monte Verde, velha e pouco cuidada, e a Pensão Gurué.

No Gurué há pouco para fazer, exceptuando visitar os arredores da vila. E nestes, estão (ainda) as maiores plantações de chá do país.

Aquele distrito já teve 12 plantações. Neste momento funcionam menos de cinco. A guerra dos 16 anos levou as outras em chamas por ataques militares. Ainda assim, só em 1991 é que a maioria deixou de funcionar, graças à teimosia da direcção da Emochá, a empresa estatal encarregue de explorar esta indústria, e dos trabalhadores, que mantiveram as colheitas e as fábricas a funcionar. Nos dias dos ataques produzia-se menos. No dia seguinte voltava-se à rotina.

De facto, naquela zona, no chá se nasce, no chá se trabalha e no chá se morre. Qualquer pessoa daquela terra trabalha, trabalhou ou conhece alguém que fez vida no chá.

Montanhas cinzentas emolduram o cenário, com as suas estranhas formas. Vales e montes verdes, qual jardim britânico, enchem o olhar. É o chá. Para quem não conhece, são pequenos arbustos, que devem ser sempre podados. No tempo da colheita, entre Novembro e Agosto, vêm-se centenas de pessoas de cesta de verga às costas.

Cortam pequenos ramos com duas folhas, já que, mais do que isso, já faz mau chá. Quando chegar à fábrica, peça para visitá-la. Talvez tenha sorte e encontre o simpático gerente indiano, que já trabalha há 25 anos no chá da India, e que veio há um ano para a fábrica do Sr. Miranda. Pouco depois do edifício existem quedas de águas que vale a pena visitar. O caminho de volta à vila faz-se entre chá e colheitas.

Lazer na falta em Gurué. À noite, aproveite e vá ao cinema no Cine Gurué, um enorme cinema onde hoje passam filmes pouco actuais perante uma imensa plateia vazia. O edifício faz lembrar os velhos tempos, quando a vila estava cheia e mais de 30 mil pessoas trabalhavam no chá. Hoje serão cerca de três mil.  Enfim, Gurué, aquela cidade apelidada como Suíça de África está em festa e parabéns. (Redação e Sapo)

Posted by on Fevereiro 23, 2017. Filed under Destaques, Gurué, Sociedade. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0. You can leave a response or trackback to this entry

2 Responses to Vila Junqueiro(Gurué)uma velha cidade que se reergue

  1. Victoriano Nazareth

    Parabéns ao Gurué com um forte abraço de Coimbra.

  2. Idílio Alves Pereira

    Enquanto colónia portuguesa, fui um dos garantes da paz naquela região, à qual batizei com o nome de “princesa de Moçambique”: pela beleza natural, pelas fantásticas gentes nativas, pelo contributo dado à economia nacional. Não entendo por que hoje, aquele explendor, está tão em baixo. Só desejo que as autoridades locais consigam repôr àquela região aquilo que merece: elevá-la à categoria de “Raínha do chá do mundo”, porque tem todas as condições para isso.

    A toda essa BOA GENTE desejo um futuro digno e apelo para que não baixem os braços. Façam do Gurué, da cidade do Gurué, a sede da maior maravilha do vosso país. Um abraço fraterno.

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