Antevisão das próximas eleições intercalares em Nampula

BREVE INTRODUÇÃO

As últimas eleições autárquicas no País ocorreram em 2014 em 53 Municípios e o MDM conseguiu impôr-se nos Municípios da Beira (a segunda maior urbe do País), Nampula (a terceira maior), em Quelimane (a quarta) e na cidade chazeira do Gúruè. As eleições caracterizaram-se pela falta de comparência da Renamo - a segunda maior força política do País.

Volvidos três anos, o presidente eleito para a Cidade de Nampula - Mahamudo Amurane, foi crivado mortalmente de balas, vindo a falecer o que obriga a que se projecte a realização de eleições intercalares, depois da que ocorreu em Quelimane e que levou a eleição de Manuel Araújo. PONTO DE VISTA Como atrás me referi, as eleições de 2014 foram caracterizadas pela “falta de comparência” da Renamo, no palco político, levando a que os tradicionais votantes direcionassem os seus votos para o MDM. As intercalares irão acontecer com o retorno da Renamo ao ringue e num cenário de aparente fragilização do MDM, pois para os nampulenses a morte do Amurane fora encomendada pelo MDM.

Os votantes da Renamo aglutinados em torno do MDM direccionarão os seus votos à Renamo e o voto destes terá um sabor a vingança ou a homenagem à Amurane. Um outro dado é que não antevejo o nosso Manuel Araújo procedendo a uma passeata por Nampula com igual pujança e frescura com que o vímos em ocasiões anteriores, dando a entender que “em casa tenho tudo sob controlo e agora vou dar uma ajudinha aos meus comparsas”, atendendo a forte aproximação que tinha ou aparentava ter com o Amurane. A ver vamos!

Todos os partidos mantém-se fechados no tocante ao nome dos seus candidatos seguindo o lema de: “o silêncio é a arma do negócio”. No meu ponto de vista o MDM nunca foi um partido com aquilo a que chamaríamos de verdadeira estatura ou estrutura política. Os bonitos resultados recaíram sob os ombros das pessoas escolhidas para candidatos (Sim, aí esteve o seu mérito de acertaram e bastante bem na escolha dos seus candidatos) contrariamente ao que acontece com a Frelimo em que os votos lhes são direccionados pelo seu desempenho global advindo da sua estrutura.

Não nos esqueçamos que a primeira vitória do Daviz Simango na Beira, ocorreu na qualidade de candidato independente e só depois em representação do MDM. Em Quelimane aconteceu o mesmo, o MDM escolheu a figura do Manuel Araújo que em caso de um dia optar em concorrer como independente pode também sair-se-á bem. As intercalares irão acontecer já com uma Renamo de cara lavada, Renamo recondicionada, Renamo moldada para exalar a paz... Para a Frelimo a reabilitação da imagem da Renamo era do seu grande interesse para a garantia da paz.

A Frelimo ajudou a apagar a imagem belicista ostentada até há pouco tempo pela Renamo. Recordemo-nos dos esforços empreendidos pela Sra. Helena Taipo em Sofala que não teve mãos a medir em ir a casa do pai do Sr. Afonso Dlakama; do Presidente Jacinto Nyusi que escalou Gorongosa para proporcionar aos moçambicanos os bons momentos de relativa calmia política de que hoje nos deleitamos. EM RESUMO Pelas razões que antes apontei o MDM voltará ao posto de terceira força. A Frelimo e a Renamo serão os principais protagonistas do pleito e o vencedor sairá de entre os dois. Porém, se o MDM descobrir uma outra figura com o carisma de Mahamudo Aramane poderá criar um cenário renhido.

A Frelimo tem muitos aspectos que jogam em seu favor: tem uma base sólida de apoiantes, embora esteja fresca na memória de muitos, refiro-me o cenário das dívidas ocultas. O recém-eleito Secretário-geral vai querer mostrar que não é por acaso que foi escolhido para aquele ambicionado posto. A máquina partidária da Frelimo anda sempre lubrificada, pois vivem permanentemente o lema de “a vitória prepara-se, a vitória organiza-se” (a ida de destacadas figuras à Nampula complementada com as visitas à viúva do Amurane não foi um mero acaso). A Frelimo deve estar por estas alturas a procurar alargar a sua base de sustentação partidária.

Portanto vai activar a tracção às cinco rodas (contanto com o pneu sobressalente). Mesmo que não encontre um candidato com o timbre de ganhador, tudo fará para se sair vencedor tendo em conta a sua musculatura real e... No período de campanha, a Cidade de Nampula vai-se converter em capital política de Moçambique e as casas de pasto serão “poucas” para albergar os visitantes provindos de Maputo. É mesmo um grande facto para afirmar que as próximas eleições intercalares serão uma autêntica antecâmara para as eleições que virão depois, por isso todos irão usar tudo o que têm guardado no arsenal. No meu ponto de vista esta será uma ocasião soberba para o senhor Afonso Maceta Dlakama sair das matas e ir a sua residência em Nampula e dedicar alguns dias de campanha, caso queira realmente apoiar o seu partido, porque com esta atitude irá garantir inequivocamente a vitória do seu partido.

Matchinga/11.17

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