Por estes dias, muito antes deste assunto de Molumbo (morte de agentes da polícia), nossas atenções estavam centradas em Inhassunge e Chinde, zona sul da Zambézia.
E os motivos não eram poucos. No Chinde, por exemplo, só para avivar as memórias, pela primeira vez, aquela vila pacata teve duas noites fervorosas, com a população a sair à rua, partir e saquear tudo.
Inhassunge, tão perto, nas vistas de Quelimane, também teve e tem tido momentos de arrepiar.
Se outrora os Naparamas fizeram das suas, agora já são os nativos que andam fartos da extrema pobreza a que foram submetidos, durante anos e anos. Claro, como eles, há também muitos que vivem assim.
Ora, o que separa Quelimane de Inhassunge é apenas o rio dos Bons Sinais, que depende de embarcações para chegar a uma e outra margem. Se falarmos de uma ponte, melhor esquecermos, porque nunca ouvi algum dirigente do país a falar disso, logo, prefiro não ser o primeiro.
Mas então, Inhassunge é tão perto, mas tão perto de Quelimane, porquê os dirigentes colocam sempre fora dos seus planos primários? Eu, desde que sou alguém informado, nunca ouvi algum governo provincial a dizer que vai realizar uma sessão do governo levando todos seus administradores e directores para Inhassunge. Visitas do governador ou Secretário do Estado, contam-se a dedo. Se chegam cinco como de uma mão, talvez antes de eu nascer. Como o que está tão perto, fica tão longe assim? Quais as prioridades para Inhassunge, Luabo e Chinde, pelo menos?
Quando compulsamos os documentos, a coisa que vem mais, são os índices de pobreza, falta de água, estradas (isso então, hiiiii), etc.
E então, que pecado cometeu Inhassunge? Prontos, não falei nada.